Me sinto uma tola vindo até este homem. Onde eu estava com a cabeça em concordar com a dissimulada da minha tia? Ele até agora só nos encarou com essa cara gordurosa. Os bolsões dos olhos dele me dão nojo. Olhos amarelos.

       O filho da puta do Martinho - que me infernizou e zombou a semana inteira pela minha decisão de vir - estava mudo, encarando a prateleira mofada daquele cômodo que exalava um miasma que meu delicado nariz não suportava. Havia livros e mais livros acadêmicos, de edições muito antigas e costuras abertas.

       - Bem, - comecei desconcertada batendo as palmas das mãos no joelho - o senhor precisa se... preparar ou algo assim?
       - Já estou pronto. - Respondeu aquele homem seboso.
       
       Olhei para a velha mesa redonda entre nós. Estava vazia. Nenhum globo, cartas ou mesmo uma toalha. Apenas a dura e áspera madeira que ameaçava morder com suas inúmeras farpas auspiciosas.

       - Nem mesmo velas? - Perguntei.

       Ele me olhou com altivez.

       - Por acaso cera e pavio estavam na primeira fagulha do universo? - Respondeu ele sarcástico.

       - N-não. - Gaguejei com raiva - Mas pensei que algum ritual fosse necessário.

       - Rituais são coisa deste mundo, criança. Idealizados pelas mentes pequenas deste mundo, para impor suas vontades igualmente ínfimas. E se está aqui, não é com este mundo que está interessada.

       Ele falava com a eloquência e arrogância de um acadêmico. Aquilo me incomodou mais.

       - Deixe o homem, Regina. - Falou Martinho no momento em que eu preparava uma tréplica.

       “Primeiro me condena por vir, agora o defende!”

       - Faremos do seu jeito. - Eu disse buscando calma - quando começamos?
       
       - Começamos? - Repetiu o homem.

       “Ah, não. Esse joguinho novamente?”

       - Bem, você sabe. - Disse controlando meu nervosismo - Você pode estar familiarizado em fazer interurbano para o além. Mas eu não tenho ideia nem que prefixo discar.

       O homem riu. Por Jesus, até a risada dele parece ser amarela e sebosa.      


       - Como eu disse, minha jovem, rituais são para este mundo. Não há começo, meio ou fim para o outro. O tempo é outra futilidade nossa. Quando entrou por esta porta já havia começado a eras. Não espere que a mesa levite ou que eu seja possuído pela sua irmã, isso não vai acontecer.



       Um arrepio atingiu meu corpo como uma enchente. Martinho também a sentiu, pois os pelos do braço dele estavam eriçados.
       
       - Isso é alguma brincadeira da tia Carmem? - Perguntei séria.
Tia Carmem havia pegado o contado desse bruxo com a amiga de uma vizinha.

       - Não conheço nenhuma Carmem, criança.

       - Como sabe que vim pela minha irmã?

       O homem sorriu.

       - Eu já disse, começou eras atras.

       - Então ela está aqui? - Perguntou Martinho.


    - Oras, claro que está! - Disse o homem se acomodando na cadeira – Afinal, vocês a trouxeram.


       Eu e Martinho nos entreolhamos.

       - Ela diz que não quis te ferir enquanto dormia. Mas era a única forma de você deixar o ceticismo de lado...

       O olhar do homem divagou enquanto uma feição triste surgia em seu rosto. Eu puxei a manga da minha blusa para ocultar ainda mais as stigmatas.

       - Ela... - Recomeçou o homem saindo aos poucos do transe - Ela sente muito por ter chegado a este ponto.

       Martinho estava incômodo. Passava a mão no peito a cada dois segundos. Deve ser a asma. Por sorte eu trouxe o remédio dele.
       
       - Supondo - comecei buscando o restante de ceticismo que havia em mim - que eu acredite que ela esteja te dizendo isso...

       - Está. - Interrompeu o homem esfregando os olhos cansado.
       
       - Certo. - Recomecei - Que prova eu teria que é ela mesmo?

       O homem seboso me encarou com um sorriso sorrateiro e me estendeu a mão.

       - O q-que é isso? - Sobressaltou-se Martinho. Quando foi que ele começou a suar tanto?

       -A senhora ‘‘Tomé’’ quer uma prova. Estou dando a ela esta prova.

       Encarei a mão calejada e suja daquele primata involuído com desconfiança.

       - É claro - disse ele rindo - se ela tiver coragem.

       Fuzilei com o olhar aquela face sebosa e redonda com toda a raiva dos sete infernos e puxei minha cadeira para frente fazendo ranger a madeira do chão. Martinho tentou me impedir com palavras gaguejadas e fracas enquanto estendia minha mão para alcançar a do bruxo. De repente, eu já não era eu mesma.

       Desespero!

       Eu ofegava correndo num lugar escuro e destruído. Seria o inferno? Não, a angústia no meu peito dizia que eu fugia do verdadeiro inferno, do carrasco dos meus pecados.

       Corri pela escuridão chorando e ferindo meus pés, pois estava descalça. Um grito horripilante atrás de mim me fez soltar um grito desesperado enquanto tropeçava em meio a entulhos de tijolos e cimento. Uma lasca entrou no meu pé fazendo com que uma dor aguda e seca percorresse meu corpo. Um sabor salgado de sangue me veio a boca na mesma hora em que vi o objeto voando em minha direção. Desviei do martelo que se enterrou no entulho atrás de mim.

       E lá estava o arauto do caos! A cria infernal que me perseguia. Meio homem e meio bicho. A máscara de látex que ele usava era a de um macaco. A respiração demoníaca dele era como a de uma besta abissal por trás daquilo. Tentei levantar, mas ele se jogou sobre mim sedento como um leão magro que pegará sua presa.

Rasgou o tecido maltrapilho que eu estava usando com suas garras e com uma fúria animalesca me deixou nua em meio aquele lugar esquecido. Meu corpo frágil e despido 


       O quê estou fazendo aqui?

    Eu tentava gritar, me livrar daquele diabo. Mas meu corpo terrificado não me obedecia. O barulho da fivela dele se abrindo me tirou daquele torpor em que me encontrava, mas já era tarde. Ele me possuiu.

       Onde estou?

       Tudo pareceu mais lento. O tempo decidiu me torturar enquanto ele me estuprava. Suas mãos se agarravam fortes à minha pele. Havia uma familiaridade naquele toque...

       Onde... Onde estou?!

       Você não tem culpa, alguém sussurrou.

       E o terror voltara.

     Me livrei de uma das garras daquele monstro e arranhei sua face de borracha debochadora. Cabelos castanhos rolaram de dentro da máscara e o cheiro de suor bestial encheu meus pulmões. Cheiro com dualidade macabra de terror e nostalgia - um pouco de prazer.

       Você não tem culpa, disse minha irmã.

       Essa não era eu. Eu nunca estive aqui. E esse homem a quem devo amaldiçoar me traz sensações familiares... Em meio aos gritos do corpo que não era o meu, em meio ao terror de sentir outra pessoa ser violada, ele finalmente me encarou. E aqueles olhos negros me retribuíram o olhar, terrificados.
Ele saiu de cima de minha hospedeira sobressaltado e com o lábio tremendo. Então um nome saiu engasgado de sua garganta...

       Regina!

       E num acesso lacrimoso de nítida raiva - ou decepção - ele me espancou... A espancou!

      Suas mãos indignas a sufocaram, impedindo que o amaldiçoado ar entrasse em seu peito. O cabo emborrachado do martelo chamou pelo seu dono com desespero assassino. Gritava enquanto ele o alcançava. Gritou por Martinho, meu marido!

       E o sangue de minha irmã reluzia à luz da lua e se tornou o orvalho carmesim do capim seco daquele lugar esquecido, enquanto ele martelava o crânio dela. E eu senti com ela... Cada golpe triturando o osso enquanto o tempo novamente a castigava com aquele destino terrível. E a voz dela dizia: Culpado!

       Acordei no chão do homem seboso. Martinho estava ao meu lado, morto com uma mão abaixo da jaqueta onde o cabo de um revolver reluzia. Sua cabeça estava triturada como se... como de ele tivesse levado várias marteladas. E o homem seboso, despido do outro lado da sala, sorria.
Há mais ou menos dois anos, ao me mudar para Rondonópolis, comecei a escrever um romance de fantasia.

Este não é o meu primeiro projeto da criação de um romance. O primeiro aconteceu quando eu tinha 14 ou 15 anos. Por que não publiquei? Porque é uma merda. :v

Mas não totalmente inútil. Me descobri ao fazê-lo. Ele se chamava "O Menino que Voava" e é totalmente diferente do que escrevo agora. Era uma ficção cientifica que misturava teoria do caos, alienígenas e anjos numa narrativa em 1ª pessoa.

O Deserto Vermelho - como o chamo por enquanto - tem um tom mais obscuro e sujo do que a minha primeira empreitada. A história se passa em Ghis'kran, um continente vasto e tortuoso, com clima hostil e com metade do território ocupado por dois grandes desertos: o Dourado e o Vermelho.

Influenciado pelo estilo de Espada e Magia, jogos de RPG e  uma escrita mais adulta - com certeza será +18 - quero apresentar uma experiência única, criativa e empolgante. Você poderá ver o desenrolar deste primeiro livro do que possivelmente será uma trilogia por aqui.

Abraços.

''Apenas a tinta neste papel velho segura minha sanidade ao meu corpo decadente. Peço desculpas pela letra, tremo muito devido a desnutrição.
                Lembro-me quando meus dedos ágeis digitavam rápido todas aquelas notas fiscais. Habilidade que me causou uma lesão por esforço repetitivo, verdade. Mas naquela época não havia tremedeira.
                Eram minhas primeiras férias depois de dois anos de trabalho. Havia seis desde que eu planejara a viagem. Nada me impediria de ficar isolado naquele chalé no meio do pantanal por um mês inteiro.
                A pousada era simples e ficava próximo de um pequeno vilarejo pantaneiro de nome Ventura. Boiadas cruzavam a estrada enquanto dirigia meu velho carro popular.
                Me apresentei para o Seu Manoel, dono da pousada. Ele me deu boas-vindas e me convidou para o almoço. Foi a melhor galinhada que comi em eras! Lembra-la me dá água na boca.
                Após a refeição, ele me indicou a direção do chalé e disse que o vilarejo teria uma festividade logo à noite. Após uma pequena aula sobre como usar o rádio amador para nos comunicarmos, parti para o meu refúgio que ficava a cerca de três quilômetros do dele.
                O chalé era simples, feito de tijolo e sem reboco por fora. Continha um quarto com uma cama de casal e dois beliches, um banheiro, uma cozinha, uma área coberta de telhas de zinco e um quiosque de madeira forrado com folhas.
                Havia um tablado a beira-rio com uma cobertura semelhante ao do quiosque. Um lampião repousava numa das vigas. Subi no tablado e contemplei o rio, as garças revoando, os bugios gritando... Estava em paz. No leito oposto, jacarés. Preocupou-me um pouco, mas o barranco da minha margem parecia alto o suficiente para mantê-los afastados.
                Guardei minhas coisas, liguei a velha tevê sem obter sinal, liguei o velho rádio amador e sintonizei ao canal indicado por Manoel, fazendo um primeiro teste que foi um sucesso. Após isso achei um pequeno rádio de música e o sintonizei na rádio local. Desliguei ao ver que o sertanejo universitário havia chegado tão longe.
                Por fim, preparei minha tralha de pesca e dormi um pouco. Acordei antes das quatro da tarde e tentei pescar, sem resultado.
                Com a noite se aproximando, os mosquitos aumentaram. Tomei um banho e me intoxiquei o máximo que pude com repelente. Me aprumei e assim que deu sete da noite, dirigi em direção ao vilarejo.
                Parei num boteco e fiz novos amigos. Jogamos sinuca e bebemos enquanto conversas sobre minha vida na capital e a deles naquele lugar se desenrolava. Contaram-me sobre a festividade que aconteceria. Era uma típica festa folclórica em homenagem a três crianças que, dizem, apareceram por aquelas bandas certa noite e trouxeram algo que eles descreviam como “Alegria”.
                Como era interessado por história, perguntei o máximo que pude sobre esta tal “alegria”. Eles riram e depois ficaram preocupados, pois segundo eles, raramente alguém de fora participava. Culpa as minhas férias fora da temporada.
                “Mantenha a cuca aberta”, me disse um.
                O festejo começou as nove. A lua estava sorridente no céu. O pátio em frente à igreja local dedicada a Nossa Senhora Aparecida, estava enfeitada com bandeirolas, luzes, barracas com comidas regionais e bandeira com o desenho das três crianças.
                Ao ver a representação dos pivetes, minha reação foi de riso. Não atentei para aquele claro sinal do que me aguardava. Devia ter voltado ao meu chalé. As três crianças tinham cabeças animalescas, e se abraçavam de maneira... erótica. Naquele momento achei que era impressão minha devido à forma rustica que havia sido desenhada.
                O pároco da cidade passou por mim enquanto eu comprava um pouco de cural de milho. Lembro-me do sabor da canela! Só soube que ele era o pároco, porque adentrou a igreja e, com a cara carrancuda, se trancou lá dentro.
                A festa ficou animada! Um trio local cantava embalado por violas e uma sanfona. Conheci uma mestiça indígena, de nome Jaqueline. Dançamos a noite toda enquanto eu a xavecava. Fui correspondido e logo estávamos nos pegando atrás de uma mercearia.
                Era próximo da uma da manhã quando ela começou a tirar seu vestido ficando nua. Tentei impedi-la, dizendo que ali não era local para isso e que poderíamos ir para meu chalé.
                Mas ela se livrou dos meus braços violentamente, sorriu e foi se afastando de costas com um sorriso indecente no rosto em direção a festa. Tentei alcança-la, mas ela correu para o centro do festejo. Peguei o vestido que ela deixara e corri atrás dela, temendo que ela inventasse alguma balela contra mim. Grande foi meu susto!
                Todos estavam nus.
                Velhos, crianças, homens, mulheres... A música havia parado e todos olhavam para o céu além do teto da igreja.
                “Cuca aberta’’,  disse meu recém companheiro de bar passando por mim sem roupas.  Eu me aproximei e perguntei o que eles estavam fazendo. O que aguardavam? Ele apenas disse para eu esperar  e sugeriu que eu ficasse pelado também.
Antes que eu pudesse argumentar senti um aroma forte que me deu náuseas. Pelo movimento da massa dos pelados, eles também sentiram. Mas pareciam desfrutar com enorme prazer daquele cheiro abominável! Prazer notório nos homens, pois notei desconfortavelmente que eles começaram a ter ereções. E pior: eu comecei a ter uma ereção!
Algo estava fora do normal. Meu corpo estava esquentando. Desejos ocultos que nem sabia que existiam começaram a explodir em minha mente. Então começaram os gemidos e o cheiro forte aumentou.
Tentei colocar a cabeça no lugar, tampando o nariz e me afastando. Notei que os cachorros e gatos da vila começaram a se unir ao aglomerado. E não só eles!
Sapos e rãs, cobras, grilos, mosquitos, quatis, tatus... Estavam seguindo para junto do povo, cada um emitindo sons estranhos se unindo a cacofonia de gemidos daqueles malucos.
Foi quando senti minha calça molhando e me peguei gemendo de prazer. Deus, o que estava acontecendo?
Olhei para o aglomerado e fiquei horrorizado!
Homens e mulheres estavam se entregando a uma orgia animalesca e violenta! E não só eles. Os animais também. E o povo com eles e eles com o povo! Deus, não vou esquecer! Minha visão começou a ficar turva e pensei ter visto algo além da igreja. Algo gigantesco e disforme que minha mente não quis e ainda não quer acreditar!
Um cachorro começou a se esfregar na minha perna e mordia ferozmente minha coxa enquanto o fazia! Meu primeiro pensamento foi em me livrar do animal... mas, céus que vergonha! Estava gostando daquilo e queria deflorá-lo. Com incrível força de vontade chutei o animal pra longe!
A mente rodava, mas conseguia ver o povo se ferindo e se entregando aqueles desejos porcos.
Oh Céus, havia crianças!
Corri em direção ao meu carro, negando aqueles desejos. Várias pessoas transavam pelos becos da cidade. No bar, homens se defloravam. Quando cheguei ao meu carro, notei que um homem se esfregava nele.
Ele me encarou e veio em minha direção gritando como uma besta e ejaculando na minha direção!
Abri a porta o mais rápido que pude, conseguindo me livrar do furor do estranho. Arranquei, arrastando o maluco por alguns metros tomando a direção do meu chalé.
Enquanto dirigia e chorava em pânico, notei que até as arvores estavam estranhas. Como se dançassem. Bati na testa inúmeras vezes tentando acordar daquele pesadelo. Mas ainda estava muito excitado!
Comecei a me masturbar violentamente ao volante. Sentia uma mistura de nojo e prazer enquanto o fazia. Ejaculava muito. O cheiro do meu sêmen misturado aquele cheiro nefasto me excitava mais. Aquele cheiro não me largava!
Cheguei ao meu chalé e corri para abrir a porta e me proteger. Mas um som me chamou a atenção. A água do rio estava espirrando para todos os lados. Aproximei-me um pouco, o suficiente para ver os peixes pulando em meio a jacarés e cobras. Deus, eles estavam fodendo! E antes que a vontade de me unir a eles aumentasse, senti aquela presença.
Ela me oprimia, me julgava, sugava toda minha lucidez. As sombras a minha volta começaram a se fechar. O chão se tornou vivo com vermes e minhocas rompendo da terra em sua própria orgia. Meus pés entre eles.  Olhei para o alto e as estrelas giravam em uma dança hipnótica.
E lá estava ela!
Três montes disformes feitos do mais puro caos de carne purulenta, se erguendo acima do mundo. Se formando e morrendo a cada instante.  Seus inúmeros braços me envolveram e tiveram relações comigo. E eu com eles. Pois eles eram formados do puro prazer, de todo o tipo de órgãos reprodutor que existia.
No dia seguinte, me encontraram nu com o pênis coberto de vermes e minhocas. Peixes também estavam violados no local. Contei desesperadamente que a Mãe me abraçou e os lembrei do que eles haviam feito. Ficaram profundamente ofendidos e me espancaram. O padre cuidou de mim enquanto a policia vinha em meu auxílio. Ele sabia! Via-se nos olhos dele. Os pulsos do pároco estavam marcados onde ele havia se amarrado. Me entregou as autoridades e eu relatei todo o ocorrido.
Estou na minha cela branca, escrevendo com o que me deram. Hoje faz um ano e a lua está sorridente lá fora. Gemidos de prazer ecoam pelos corredores. As sombras começam a se aproximar de mim e o chão começou a respirar enquanto aquele cheiro nefasto e prazeroso toma conta do meu ser.
Não há fuga, ela chegou.
Não há fuga... a Alegria chegou!''



Conheci o reino de mira no podcast O Drone Saltitante, do Igor e da Diana. Na ocasião, eles entrevistavam o próprio autor, Mateus Lins (OUÇA O EPISÓDIO AQUI). Mesmo antes de ler a obra, ouvir de um jovem escritor que conseguira publicar sua obra de fantasia no brasil com apenas 16 anos, já é motivo de admiração e esperança num mercado literário que ainda engatinha na publicação de fantasia e ficção de autores nacionais. 

Comprei no mesmo instante a obra e me deparei com uma historia simples e muito bem escrita. Já estou grandinho para histórias de princesas e bruxas, bem sei. Mas quando se escreve, você lê muito mais que a obra.

A narrativa é bem contemporânea, o que por um lado dialoga com os novos leitores, e por outro nos tira do clima fantástico, principalmente quando o autor usa de analogias pra nos aproximar da situação das personagens. 
Somos apresentados a Mira, uma princesa que vive enclausurada em seu castelo e que encontra em Pedro - plebeu filho dum servidor do castelo - uma amizade sincera.





Uma foto publicada por Willian Costa (@willacosta123) em

As coisas começam a mudar quando Elen, uma estrangeira, torna-se sua tutora. Com o tempo, a mulher se mostra como  a verdadeira vilã da história, lançando a pobre menina mais seu fiel amigo, numa incrível jornada e, busca duma solução para salvar seu reino. Mais interessante que essa jornada é o desenrolar da relação entre Pedro e Mira, que nos leva a nostalgia do fim da infância.


O Reino de Mira é publicado pela Modo Editora.


Site Oficial: O REINO DE MIRA 

SKOOB: O REINO DE MIRA

GOODREADS: O REINO DE MIRA


Nostalgia.

Posso resumir nesta unica palavra a experiência que o livro me trouxe. Somos apresentados a um protagonista de meia idade que retorna a sua antiga cidade para um enterro e decide visitar os arredores onde passou boa parte da infância. Levado pela mesma palavra acima, ele começa a recordar dos seus sete anos.


Já neste primeiro momento, Neil Gaiman me ganhou. A narrativa dele consegue nos dar aquele ''sabor'' de tempo. E o que era para ser apenas uma memória simples da criança que um dia o narrador fora, se torna uma aventura fantástica que faz você se perguntar se todo o episódio realmente aconteceu ou se foi a forma que na época ele achou para  lidar com certos ''traumas''.


Ganhei o livro num sorteio de dia das bruxas pelo twitter da Editora Intrínseca. Nunca havia lido, com exceção de alguma coisa de Sandman, nada de Neil Gaiman. Portanto, minhas expectativas estavam neutras. Digo isso, porque na maioria das resenhas sérias que dei uma olhada a posteriori, a expectativa por ser uma obra de Gaiman, acabou por não satisfazer alguns. Muitos acharam o livro confuso, principalmente na questão fantasia/real. E para isso eu tenho uma singela opinião: Se você não teve uma infância fantástica, este livro não é para você. Ou melhor, não irá te atingir da maneira que o autor quer.

Algumas pessoas - e eu me incluo no grupo; conseguiram fazer de sua infância  uma aventura fantástica. Seja por diversos fatores: introversão, extroversão, aceitação, negação, etc. E isso de maneira nenhuma desmerecesse quem não teve a infância nesses moldes. Afinal, somos diferentes e vivemos em contextos sociais e culturais diferentes. Alguns usam esse mecanismo de ''conhecer'' o mundo, outros encontram suas respostas em outros métodos.

O fato é: se você teve seu próprio mundinho fantástico onde pôde se sentir seguro, feliz e protagonista, irá se identificar e muito com O Oceano no Fim do Caminho.

Em breve farei um vídeo comentando mais. ;)

Link para compra: AQUI!

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